29 Julho 2026
Entrevista a Jonas Van Vossole
A reflexão sobre as raízes da crise ecológica conduz inevitavelmente a perguntas sobre o modelo económico que organiza as nossas sociedades, as relações de poder que o sustentam e as alternativas que começam a ganhar forma.
Foi nesse cruzamento entre ecologia, capitalismo e justiça social que conversámos com Jonas Van Vossole, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, que desafia algumas das ideias mais comuns sobre a crise ecológica.
Porque é que afirma que não vivemos no Antropoceno, mas no Capitaloceno? O que muda quando apontamos o capitalismo — e não “a humanidade” — como responsável pela crise ecológica?
J: Nos últimos 10 a 15 anos, o termo Antropoceno passou a designar uma nova era geológica, marcada pelo impacto global da atividade humana no meio ambiente, como as concentrações de CO2, microplásticos e poluição. No entanto, esta abordagem é despolitizadora, pois responsabiliza a humanidade como um todo, ignorando duas questões centrais.
Primeiro, um problema histórico: a humanidade existe há pelo menos 200 mil anos, mas os efeitos geológicos observados só ocorrem nos últimos 200 a 500 anos, não sendo justo atribuir a responsabilidade a 99% da história humana.
Segundo, uma questão de justiça social global: não se pode equiparar a responsabilidade de um cacique indígena na Amazónia à de um CEO da ExxonMobil, que, desde os anos 70, conhecia os impactos das alterações climáticas decorrentes do consumo de petróleo. A maioria da população mundial não tem consciência, meios ou responsabilidade sobre esses impactos.
No seu projeto Natureza e Trabalho, defende que sindicatos fortes são parte da solução ecológica. Como vê a relação entre sindicatos e a crise climática?
J: Normalmente, apresentam-se os custos da ação climática como uma troca entre a defesa de postos de trabalho e a sustentabilidade, como se fossem opostos. A minha investigação demonstra que esta oposição é falsa.
Primeiro, trabalho e ecologia não são opostos: o trabalho é, por definição, a interação humana com a natureza. Friedrich Engels já mostrava que a evolução humana — como o homo faber — resultou da interação com o meio ambiente, desde a caça, que possibilitou um cérebro maior, até ao uso de ferramentas, que moldaram os nossos pulgares. Se existe uma oposição entre trabalho e meio ambiente — resulta unicamente da forma como socialmente se divide e organiza o trabalho. A contradição pode ser resolvida por relaçoes de trabalho mais justas. E aí os sindicatos têm um papel central.
A falta desse alinhamento natural deve-se as políticas de esquerda do século XX. Politicamente, as forças alinhadas com a classe trabalhadora no século XX — como o comunismo e a social-democracia — ignoraram por grande medida a ecologia. O comunismo foi associado a desastres ambientais (ex.: Mar de Aral, Tchernobyl), enquanto a social-democracia priorizou o estado de bem-estar nacional, externalizando a crise ecológica para o mundo neocolonial.
Assim, o discurso ecológico foi assumido por classes médias urbanas, que o desvincularam da classe trabalhadora. Nos últimos 30-40 anos, a ecologia foi associada a restrições de consumo e impostos, que afetam principalmente os mais desfavorecidos, reforçando a ideia de que é uma questão de privilégio e não de classe.
A minha pesquisa busca demonstrar que esta separação entre ecologia e classe social é errada.
Ao falar da separação entre “sociedade” e “natureza” como uma invenção do capitalismo, o que é que está realmente em causa?
J: Defendo que o conceito de natureza é uma invenção do capitalismo, assim como a oposição entre natureza e sociedade. Na Idade Média, o “direito natural” (ius naturale) referia-se aos costumes e à vontade divina aplicados à sociedade. Com o Iluminismo e a modernidade (séculos XV-XVI), a filosofia política ocidental passava a basear-se na separação entre natureza e civilização, como se vê em Rousseau, Locke ou Hobbes, que descreviam o estado de natureza como um estado de ignorância, sem leis, associado ao “não civilizado”.
Esta separação justificou a colonização e a acumulação inicial do capitalismo: o “estado de natureza” legitimava a exploração de territórios e povos, como no caso do Novo Mundo, onde a terra era considerada não trabalhada ou os seus habitantes, “naturais”, podiam ser escravizados. Hugo Grotius, precursor do direito internacional, defendia que um território “de ninguém” (terra nullius) podia ser colonizado. E, para Locke, era um dever moral apropriar-se de terras em “estado natural”, caso não fossem sujeitas a trabalho produtivo.
Do ponto de vista da economia política, a natureza é central no capitalismo porque entra na economia como um recurso gratuito. Em termos marxistas, o valor de uso de um objeto (como uma cadeira) resulta da combinação entre trabalho humano e recursos naturais (como a madeira). A natureza, nestes casos, não é paga: é um bem gratuito, como a água ou a terra não apropriada.
Esta lógica estende-se a outras formas de trabalho naturalizado e não remunerado, como o trabalho reprodutivo das mulheres (cuidar da família, criar filhos, cuidar de idosos) ou o trabalho escravo. Durante a modernidade, debateu-se quem era humano: enquanto os indígenas foram reconhecidos como seres humanos (com alma), os africanos escravizados foram considerados recursos naturais, sem alma, para justificar a sua exploração. Daqui surgiu o racismo, que associa pessoas racializadas a uma natureza bruta, sem cultura ou racionalidade.
Até o corpo feminino é visto como natureza, em oposição à norma do investidor racional, desprovido de corporalidade, focado apenas na acumulação e produção.
Nos seus textos procura articular classe, ecologia, género e raça numa mesma análise do capitalismo. Porque considera importante pensar estas lutas em conjunto, em vez de as tratar como problemas separados?
J: Existem duas razões para tratar as diferentes formas de exploração do capitalismo como um conjunto. Primeiro, porque o capitalismo usa a categoria de natureza para diferenciar e explorar partes da população mundial, embora a lógica geral de exploração seja a mesma: um sistema de economia política que gera essas diferenciações.
Do ponto de vista político, é importante rearticular essas lutas. Nos últimos 50-60 anos, especialmente desde maio de 68, as lutas sociais — que antes estavam unificadas sob ideais como socialismo ou anarquismo — passaram a focar-se em identidades em vez de desigualdades estruturais. Movimentos como o antirracismo, feminismo e ecologia separaram-se da questão de classe, levando a agendas concorrentes e, por vezes, usadas umas contra as outras.
A partir dos anos 70, surgiu nos EUA o conceito de interseccionalidade, impulsionado por mulheres negras como Angela Davis, que defendiam a necessidade de articular as diferentes lutas sem ignorar as contradições internas (machismo no movimento negro, racismo no feminismo, etc.). Do ponto de vista materialista, o que une essas lutas é o capitalismo, o sistema económico que gera essas divisões.
É possível enfrentar a crise ecológica sem enfrentar simultaneamente as desigualdades produzidas pelo colonialismo e pelo capitalismo global?
J: A crise ecológica, assim como a questão de género, é uma questão colonial. Simone de Beauvoir já defendia que ser mulher não é uma condição natural, mas uma construção social, moldada pelos papéis que a sociedade atribui para reproduzir a sua estrutura. O capitalismo, como sistema orientado para o lucro (e não para o valor ou crescimento em si), perpetua essa lógica de duas formas principais.
A primeira é a acumulação por expropriação, baseada na colonização, no roubo de recursos gratuitos (como terra, dados ou ADN), que continua até hoje. A segunda é a acumulação expandida, assente no livre contrato e nas forças de mercado, onde a maioria da população é obrigada a vender o seu trabalho para sobreviver, gerando lucro para o capital.
Estas duas lógicas — expropriação e exploração por contrato — são complementares e, por vezes, contraditórias. Por exemplo, quando a classe trabalhadora europeia conquistou direitos sociais no final do século XIX e início do XX, os Estados transferiram a exploração para o exterior, através do colonialismo e das guerras (como a Primeira Guerra Mundial), para compensar a crise de lucro interna.
A mesma lógica imperial aplica-se à ecologia: a ideia de que direitos sociais (como salários mais altos) exigem maior poluição ou expropriação de recursos é falsa. O trabalho não depende apenas de condições sociais, mas também ambientais. John Bellamy Foster, por exemplo, argumenta que as condições da classe trabalhadora na Inglaterra do século XIX — como habitação precária, poluição industrial e falta de higiene — eram não só problemas sociais, mas também ecológicos. Assim, a luta de classes deve integrar tanto as condições sociais como as ambientais, pois são inseparáveis.
Em Portugal, vemos megaparques solares, concessões de lítio e monoculturas florestais avançarem sobre territórios rurais. Quem ganha e quem perde com este modelo?
J: Na última década, surgiu o capitalismo verde, uma nova forma de colonialismo interno que se foca no meio rural para criar um novo setor económico. Este capitalismo verde nasce da contradição entre o capitalismo e as questões ecológicas, como as alterações climáticas, profundamente ligadas à indústria petroleira (energia, fertilizantes, plásticos). A dependência deste setor gerou externalidades como a poluição e as emissões de gases com efeito de estufa.
O capital global procurou rearticular a economia para transformar esta crise em novos mercados e formas de lucro, como os mercados de carbono, que, no entanto, não resolvem a relação entre humanidade e meio ambiente. Pelo contrário, levaram à privatização de recursos comuns, como na Amazónia, onde a imposição de mercados financeiros resultou no roubo de terras indígenas, cercamentos para propriedade privada e expulsão de populações locais.
Outra face do capitalismo verde é a indústria de mobilidade e energia verde, que promove energias renováveis como alternativa ao petróleo. No entanto, soluções como os biocombustíveis (produzidos a partir de óleos e açúcares) consomem grandes áreas na América Latina e África, que poderiam ser usadas para produção alimentar ou preservação natural. Em Portugal, parques fotovoltaicos (no Alentejo e Cova da Beira) e barragens transformam paisagens naturais e habitadas em “desertos de ferro, plástico e betão”, destruindo ecossistemas e comunidades locais, sob o discurso falacioso da sustentabilidade.
A mineração verde, como a extração de lítio no Norte de Portugal, é outra face deste colonialismo. Sob o discurso da transição energética e soberania, esta atividade repete a lógica extrativista e colonial da mineração: destruição de montanhas e rios, violência contra populações afetadas e atuação fora da lei. Historicamente, a mineração era realizada em colónias ou por grupos marginalizados (imigrantes, minorias). Agora, com a Critical Raw Material Act da UE, esta lógica volta-se para a periferia europeia (como Portugal), onde governos contornam leis ambientais e sociais em nome de “bens estratégicos”, priorizando multinacionais em detrimento das populações locais.
Que tipo de alternativas económicas, políticas ou comunitárias podem garantir uma transição energética justa e que não destrua os modos de vida locais?
J: A alternativa ao capitalismo é simples, mas problemática. O capitalismo baseia-se no lucro e é antidemocrático, pois o poder de decisão depende de quem detém o capital, que está distribuído de forma extremamente desigual. Hoje, empresas como a de Elon Musk ou a Amazon concentram trilhões de dólares nas mãos de poucos indivíduos, criando uma disparidade enorme que gera externalidades e falta de representação de interesses.
Enquanto uma minoria com capital controla as escolhas estratégicas da economia global (o que produzir, consumir ou onde investir), a maioria da população mundial não tem impacto económico. Isto é uma ditadura económica, que produz os atuais efeitos socioecológicos.
A alternativa é democratizar o poder de decisão: se todos, desde um indígena na Amazónia até o CEO da ExxonMobil, tivessem o mesmo poder de decisão sobre a produção global, as prioridades mudariam. Seria necessário repensar o uso de recursos energéticos e a articulação das condições de vida a nível global.
Só assim se poderia superar a falsa separação entre economia e ecologia, integrando questões como salários, reformas, acesso à educação e proteção do meio ambiente (ar, recursos para as futuras gerações) num mesmo debate.
Outra coisa que é preciso dizer é que a crença de que o capitalismo é o “fim da história” e que não há alternativas, embora amplamente aceite, é historicamente falsa.
Primeiro, o capitalismo não é eterno: tem apenas 500 anos, enquanto 99,99% da história humana decorreu sob outros sistemas socioeconómicos, sem a relação destrutiva com o meio ambiente que o capitalismo impõe. Além disso, a noção de que a crise ecológica significa o “fim do mundo” não é útil para buscar alternativas. Na realidade, o capitalismo já produziu vários “fins do mundo” ao longo da sua história. Para os incas e aztecas, por exemplo, a chegada do capitalismo no século XVI representou uma catástrofe socioecológica, com genocídios causados por doenças e exploração.
A crise ecológica atual não será o fim da humanidade, mas trará novos conflitos socioecológicos: guerras, migrações e lutas por recursos. Estes conflitos podem, no entanto, dar origem a novos atores e forças capazes de propor alternativas à relação destrutiva do capitalismo com a natureza.
É importante desistoricizar a ideia de que não há alternativas. Jason Moore defende a tese interessante que o próprio capitalismo surgiu de uma crise socioecológica: a Pequena Era Glacial, no final da Idade Média. O arrefecimento climático destruiu a agricultura, provocou fomes e doenças, e levou a guerras que enfraqueceram o feudalismo. A burguesia urbana emergiu como uma nova classe social, substituindo o sistema feudal baseado na servidão e na legitimação religiosa. Assim, uma crise profunda do capitalismo também pode trazer novas forças capazes de transformar a relação da humanidade com o meio ambiente.
Acredita que existe hoje espaço político para uma ecologia popular, democrática e de base trabalhadora? Ou a ecologia continua capturada por elites urbanas?
J: O termo ecologia política surgiu como uma crítica ao discurso ecológico dominante, muitas vezes moralista e despolitizado, capturado por elites urbanas. A ecologia política politiza a questão, revelando as desigualdades e relações de poder por trás da relação entre humanidade e meio ambiente.
Nos últimos anos, a preocupação ecológica mobilizou especialmente os jovens, levando a uma consciencialização política. Por exemplo, o movimento pelo clima, inicialmente focado em pressões moralistas (como a implementação de políticas baseadas no IPCC), evoluiu para uma crítica estrutural e sistémica. Ativistas como Greta Thunberg ou os jovens das marchas climáticas na Bélgica passaram de figuras convidadas para eventos como os G8 ou a ONU a vozes críticas, que perderam centralidade por questionarem o sistema.
A ecologia não pode ser separada de outras lutas sociais. A questão da Palestina, por exemplo, mostrou como as lutas se articulam. No entanto, é provável que mudanças ecológicas venham de movimentos sociais mais amplos, que não tenham necessariamente a ecologia como foco principal, mas que, ainda assim, transformem a relação da humanidade com o meio ambiente.
O discurso ecológico das elites urbanas e académicas muitas vezes desvincula-se das lutas das pessoas desfavorecidas — classe trabalhadora, agricultores, moradores de favelas ou indígenas. No entanto, nestes grupos, a ecologia sempre esteve ligada à luta pela soberania e sobrevivência. Como disse Chico Mendes nos anos 70: “Ecologia sem luta de classes é jardinagem”. Na Europa, estamos a chegar a conclusões semelhantes às que já existiam no Sul Global, o que é um avanço positivo.
Que mensagem deixaria às comunidades que resistem à mineração, aos megaprojetos energéticos e ao avanço do chamado capitalismo verde?
J: A mensagem principal para as comunidades que resistem ao capitalismo e ao colonialismo verde é de solidariedade. Estas comunidades são a vanguarda da resistência a uma nova forma de colonialismo que, sendo cada vez mais extrativista, afeta a todos. O capitalismo verde está a trazer a lógica colonial de volta para a Europa, especialmente para as zonas rurais, como o Barroso. No entanto, esta lógica de expropriação violenta não se limita à indústria verde: o capitalismo está a abandonar os seus próprios princípios liberais (como o Estado de direito ou a propriedade privada) em favor de uma expropriação direta, escravização e desmantelamento das formas democráticas de convivência.
Esta tendência, agravada pelo aumento do autoritarismo e da extrema-direita, é mais visível nas zonas de sacrifício, mas trata-se de um risco generalizado. Por isso, é fundamental apoiar estas lutas, mesmo para quem não é diretamente afetado. As comunidades sacrificadas precisam de recursos que muitas vezes saíram delas: apoio jurídico, financeiro, e na esfera pública para enfrentar projetos mineiros, montar dossiers jurídicos, e acessar estudos de impacto ambiental.
A articulação entre lutas e a solidariedade são essenciais para que estas comunidades, que estão na linha da frente, possam ter sucesso na sua resistência.
Que mensagem deixaria aos jovens que vivem a crise climática com preocupação e procuram formas de agir, mas sentem que as respostas políticas e económicas continuam muito aquém da dimensão do problema?
J: A minha mensagem para os jovens que sofrem de ansiedade climática é que a ansiedade é a pior das respostas. Ela resulta da falta de perspetivas alternativas: sentimo-nos ansiosos porque não conseguimos ver uma saída. Mas essa ausência de horizonte impede-nos também de agir. Sem esperança, perdemos a capacidade de mobilização e a energia necessária para transformar a realidade.
É igualmente importante relativizar a ideia de que estamos a assistir ao fim do mundo. Enquanto jovens na Europa, muito provavelmente não seremos os primeiros nem os mais diretamente afetados pelas alterações climáticas. Dispomos de recursos e de capacidade de adaptação que muitas outras populações não têm.
A verdadeira ansiedade climática é vivida por quem sofre diariamente os seus impactos materiais: quem vive em aldeias envelhecidas rodeadas de eucaliptos e passa os verões com medo dos incêndios; quem habita em favelas e receia que a casa seja destruída sempre que há chuvas torrenciais. Nesses casos, a ansiedade decorre diretamente das condições de vida.
Já a ansiedade que muitos jovens vivem na Europa é, em grande medida, o resultado de uma construção ideológica da qual também somos vítimas. Em vez de nos paralisar, devemos reconhecer que temos os recursos e, sobretudo, a responsabilidade de contribuir para mudar as coisas à escala global.
Biografia
Jonas Van Vossole é co-coordenador do grupo EcoSoc – Ecologia e Sociedade, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES), onde desenvolve trabalho nas áreas da ecologia política, economia política e teoria democrática.Integra igualmente a equipa do projeto EJMapping, que analisa os conflitos ambientais em Portugal a partir da perspetiva da justiça ambiental.
Doutorado em Ciência Política, investiga as relações entre capitalismo, democracia, crise e justiça ecológica, com especial enfoque nas respostas aos desafios sociais e climáticos. É autor do livro Capitalism, Crisis and Democracy (Brill, 2026) e de artigos publicados em revistas internacionais como Capitalism Nature Socialism, Journal of World-Systems Research, Review (Fernand Braudel Center), Critique e Revista Crítica de Ciências Sociais.
O seu percurso académico cruza-se com mais de duas décadas de ativismo em movimentos antirracistas, antiglobalização, pela justiça climática e pelos direitos sociais, experiência que marcou profundamente a sua investigação e reflexão crítica.
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